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Legado da sergipana Maria Beatriz Nascimento inspira a luta antirracista no Brasil

  • há 3 dias
  • 3 min de leitura
Beatriz Nascimento, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro. Divulgação.
Beatriz Nascimento, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro. Divulgação.

No dia 12 de julho a historiadora e ativista sergipana Maria Beatriz Nascimento completaria 84 anos. Seu legado inspira gerações e contribui para a ampliação do debate e para a formulação de políticas públicas que fortalecem os direitos humanos, a luta antirracista e feminista, além da valorização da cultura e da educação negra. Em Sergipe, a Lei nº 9.427/2024, de autoria da deputada Linda Brasil (Psol), institui o Dia Estadual da Mulher Negra – Maria Beatriz Nascimento, celebrado anualmente, no dia 25 de julho, em homenagem à sua memória.


Historiadora formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Beatriz tornou-se uma referência nos estudos das relações raciais no Brasil a partir de sua atuação em organizações acadêmicas e do movimento negro. Suas obras mais notórias são o documentário Ori (1989) e seus artigos sobre o conceito de quilombo na História, raça, racismo e sexismo.


Durante a Ditadura Militar (1964–1985), Maria Beatriz Nascimento consolidou-se como uma das principais vozes do movimento negro brasileiro. Segundo artigo da historiadora Raquel Barreto, ela foi, provavelmente, a primeira militante do movimento negro brasileiro a receber um convite para visitar um país africano. O fato ganha ainda mais relevância diante do contexto da época, em que o trânsito internacional de militantes e intelectuais negros era fortemente restringido pelo regime militar, que impunha uma série de obstáculos à realização de viagens e ao intercâmbio político e intelectual.


Em parceria com Helena Theodoro e José Jorge Siqueira, Maria Beatriz publicou o livro Negro e cultura no Brasil, obra que contribuiu para ampliar o debate sobre as relações raciais no país. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu reflexões sobre a articulação entre raça, sexo, gênero, classe e espaço, além de abordar temas como a diáspora africana nas Américas, a corporeidade, os territórios negros e a construção da imagem da população negra.


No ano de 1995, enquanto cursava o mestrado em Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Beatriz Nascimento teve sua trajetória interrompida, vítima de feminicídio. Ela foi assassinada pelo companheiro de uma amiga, a quem orientava e apoiava diante de sucessivos relatos de violência doméstica.

Mesmo diante dessa tragédia, a voz de Maria Beatriz continua ecoando, por meio do legado de sua produção acadêmica e de sua militância. Décadas depois, suas reflexões seguem inspirando pesquisas, fortalecendo o movimento negro e contribuindo para o debate sobre raça, gênero, memória e direitos humanos no Brasil.


Julho das Mulheridades Negras


Celebrado ao longo deste mês, o Julho das Mulheridades Negras reforça a luta, a resistência e as contribuições históricas das mulheres negras na América Latina e no Caribe. A mobilização tem como marco o 25 de julho, reconhecido internacionalmente desde 1992 como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data foi instituída durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, evento que também deu origem à Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas.


No Brasil, a data ganhou ainda mais força com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010). Desde 2014, o dia 25 de julho também é celebrado como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014, em reconhecimento à trajetória de luta das mulheres negras por direitos, igualdade e justiça social.

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