Setembro Amarelo: Linda Brasil defende ampliação da rede de cuidado para saúde mental em Sergipe

Celebrado em 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio reforçou, na última semana, a importância de ampliar o debate sobre saúde mental, combater o estigma e fortalecer as redes de acolhimento e cuidado. Em Sergipe, um levantamento enviado ao gabinete da deputada estadual Linda Brasil (Psol) pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal da Polícia Civil revela que o estado contabilizou 876 suicídios consumados entre 2020 e 2025.
Do total, 354 ocorrências foram registradas na Região Metropolitana de Aracaju, o equivalente a aproximadamente 40% dos casos contabilizados no estado no período. Para a deputada, os números reforçam a necessidade de que a prevenção ao suicídio seja tratada como uma política pública permanente, para além das ações de conscientização realizadas durante o Setembro Amarelo.
“Setembro Amarelo é um chamado para enfrentarmos o estigma que ainda cerca a saúde mental e para cobrarmos políticas públicas capazes de garantir acolhimento, cuidado e acesso à saúde para toda a população”, afirmou Linda durante discurso na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).
Os dados também revelam uma diferença significativa quando os casos são analisados por gênero. Em Sergipe, a taxa de suicídio entre homens chegou a 12,1 óbitos por 100 mil habitantes, enquanto entre as mulheres foi de 2,1 óbitos por 100 mil habitantes.
A deputada avalia que o cenário precisa ser analisado também a partir dos efeitos do machismo e dos padrões de masculinidade impostos socialmente. Segundo ela, muitos homens são educados para esconder sentimentos, evitar demonstrações de vulnerabilidade e enfrentar problemas sem buscar ajuda.
“Muitos homens por conta do machismo, não são incentivados a trabalhar seus afetos, sua saúde mental, falar dos seus problemas e sofrem em silêncio. Vivemos em uma sociedade que impõe padrões rígidos de masculinidade e que desencoraja demonstrações de humanidade, fragilidade, sofrimento e necessidade de ajuda”, destacou.
Para Linda, o machismo também produz sofrimento entre os homens ao dificultar o acesso às redes de apoio e aos serviços de saúde mental. A parlamentar defende que o enfrentamento ao suicídio considere os fatores sociais que podem agravar o sofrimento psíquico e dificultar a procura por atendimento.
Acesso à saúde mental também é prevenção
Além do estigma, a dificuldade de acesso aos serviços especializados é apontada como um dos desafios para a prevenção. A deputada chama atenção para a necessidade de ampliar e fortalecer a rede pública de atenção psicossocial, garantindo que pessoas em sofrimento tenham acesso ao cuidado antes que situações de crise se agravem.
“Precisamos desenvolver estratégias para reduzir as subnotificações, fortalecer os sistemas de informação, ampliar o acesso aos serviços especializados, garantir recursos para a rede de atenção psicossocial e promover ações permanentes de prevenção e cuidado”, afirmou.
A discussão também se relaciona a uma atuação que a parlamentar vem desenvolvendo na Assembleia Legislativa. Em fevereiro de 2026, Linda Brasil apresentou uma indicação voltada ao fortalecimento do CAPS AD III Vida, em Aracaju, com solicitação de contratação de profissionais de saúde mental e de recursos para insumos e oficinas terapêuticas.
Ações voltadas à consolidação da política estadual de saúde mental
Entre as iniciativas legislativas destacadas pela deputada está o Projeto de Lei nº 276/2025, que institui a Política Estadual de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas em Sergipe. A proposta estabelece uma política baseada nos princípios da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial e busca garantir atenção integral, universal, pública e humanizada às pessoas em sofrimento psíquico.
Outra propositura apresentada pela parlamentar é o Projeto de Lei nº 157/2025, que estabelece diretrizes para a criação da Política de Atenção à Saúde Mental Materna em Sergipe. A proposta considera os impactos emocionais relacionados à gestação, ao parto e ao puerpério e prevê atenção psicossocial e suporte para situações como o luto materno.
Sua atuação também inclui a Lei nº 9.876, de 5 de fevereiro de 2026, que criou a Semana Estadual de Conscientização sobre a Luta Antimanicomial.
Para Linda Brasil, as discussões mobilizadas pelo Setembro Amarelo precisam continuar ao longo dos demais meses do ano. A parlamentar defende que a prevenção ao suicídio esteja associada à garantia de atendimento, acolhimento e acompanhamento em saúde mental de forma permanente.
“Falar sobre saúde mental salva vidas. Por isso, neste Setembro Amarelo, renovamos nosso compromisso com a construção de uma sociedade mais acolhedora, mais solidária e mais humana”, concluiu.



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